Mês: Outubro 2017

Será Que Mais Felicidade Significa Maior Bem-Estar?

É comum ouvirmos dizer que a felicidade traz bem-estar. Mas será que é sempre assim?

Um estudo publicado na Perspectives on Psychological Science em 2007/8, defende que querermos atingir o extremo de felicidade pode ser mais prejudicial do que atingirmos valores moderados. Investigadores da Universidade de Virgínia, Illinois e Michigan State (EUA) analisaram dados do World Values Survey sobre influências económicas, sociais, políticas e religiosas e também estudaram os comportamentos e atitudes de 193 alunos da Universidade de Illinois.

Os investigadores explicaram que muitos indicadores de sucesso e bem-estar (como os relacionamentos pessoais, emprego, saúde e longevidade) estão correlacionados com uma maior felicidade. No entanto, as suas descobertas desafiam a ideia comum que todas as medidas positivas aumentam em proporção com o nível de felicidade. Os indivíduos que se classificaram a eles próprios como mais felizes (10  numa escala de 10 pontos) estavam em alguns aspectos, piores do que aqueles que tinham um resultado ligeiramente inferior.

O estudo hipotetizou que as pessoas felizes (classificando-se a elas próprias como 8 ou 9) podiam ser mais bem sucedidas em alguns aspectos do que aquelas que se consideravam no topo da escala.

As pessoas profundamente felizes podem ter menos tendência a modificar o seu comportamento ou a ajustarem-se a mudanças externas, mesmo quando alguma flexibilidade poderia trazer vantagens. Os dados do World Values Survey suportaram essa hipótese.

O estudo que fizeram com os 193 alunos também revelaram um padrão similar. Os estudantes foram categorizados como infelizes, ligeiramente felizes, moderadamente felizes, felizes ou muito felizes. O sucesso em categorias relacionadas com o desempenho académico aumentaram tanto como a felicidade aumentou, mas decresceu ligeiramente para os alunos que se classificaram como muito felizes. No entanto, o grupo muito feliz teve um resultado ligeiramente superior em factores sociais (amizades, confiança).

Outros estudos anteriores que ligam a saúde às emoções, descobriram que as pessoas extremamente felizes que são diagnosticadas com doenças sérias, nem sempre mostram melhores resultados. É especulado que isto acontece porque estas pessoas não se preocupam o suficiente sobre assuntos críticos que afectam a sua própria sobrevivência. A sua felicidade extrema faz com que se preocupem menos e procurem menos soluções mais activas para resolver os problemas de saúde.

Então, a felicidade significa mais bem-estar, mas quando atingimos níveis extremos de felicidade, perdemos em vários aspectos que estão relacionados ao bem-estar.

Ed Diener, professor de Psicologia da Universidade de Illionois concluiu o estudo indicando:

“Se estás preocupado com o sucesso na vida, não sejas um 1, 2, 3 ou 4 (numa escala de 10 pontos). Se estás infeliz ou apenas ligeiramente feliz, podes precisar de procurar ajuda ou fazer algo que te faça mais feliz. Mas se és um 7 ou um 8, talvez sejas suficientemente feliz!

 

Tradução adaptada de http://www.psyarticles.com/emotion/happiness.htm

 

 

11 Sinais Que Tens Baixa Inteligência Emocional

Travis Bradberry, autor do best-seller Emotional Intelligence 2.0 e referência mundial em Inteligência Emocional, escreveu um artigo para o entrepreneur.com onde enumera 11 sinais de um baixo Quociente Emocional (QE).

Devemos alertar que pelo facto de sermos humanos, todos nós passamos por vários sinais que o autor indica, não significando automaticamente que temos uma baixa inteligência emocional. Se apresentarmos estes sinais de forma regular, aí sim, é um grande indicador.

Decidimos traduzir e adaptar esse artigo. Os 11 sinais que Travis Bradberry menciona que uma pessoa com um baixo QE tem, são:

  1. Stressa rapidamente
    As pessoas com uma baixa inteligência emocional tendem a stressar-se rapidamente, pois não gerem de forma saudável as suas emoções e sobrecarregam aquilo que estão a sentir. Quando sobrecarregamos os nossos sentimentos, eles rapidamente transformam-se em sensações desconfortáveis de tensão, stress e ansiedade.
  2. Dificuldade em ser assertivo/a
    Uma baixa assertividade pode gerar comportamentos passivo-agressivos. Pessoas com elevado QE tendem a fazer um equilíbrio entre boas maneiras, empatia e bondade, com a habilidade de manterem-se assertivos e estabelecerem limites em simultâneo.
  3. Vocabulário emocional limitado
    Todos nós sentimos/experimentamos emoções, mas são poucas as pessoas que conseguem identificar com precisão as emoções à medida que vão aparecendo/à medida que as sentimos.
    Emoções sem rótulo -> geram mal-entendidos -> levam a escolhas irracionais e ações pouco produtivas
  4. Tira ilações muito rapidamente e tende a ser defensiva/o
    Pessoas com baixo QE tendem a formar opiniões muito rapidamente e deixam-se levar por confirmações enviesadas, isto é, apenas registam as evidências que suportam as suas opiniões e ignoram todas as evidências que defendem o contrário.
  5. Guarda rancor
    As emoções desagradáveis servem um propósito. Devemos senti-las, mas não devemos guardá-las e ruminar sobre elas, gerando rancor contra terceiros.
  6. Não se distancia dos seus erros
    Focarmo-nos nos nossos erros deixa-nos ansiosos e inseguros. Pessoas com elevado QE distanciam-se saudavelmente dos seus erros, mas não os esquecem. Essa distância de segurança permite que esses erros estejam “à mão” de serem ajustados para tornarem-se sucessos.
  7. Sente-se incompreendido/a com frequência
    Pessoas com elevado QE também se sentem incompreendidas com frequência, porque nem sempre transmitem as suas ideias perfeitamente, mas tentam adaptar o seu discurso até que se sejam compreendidas.
  8. Não conhece os seus gatilhos emocionais
    Todos nós temos coisas que nos fazem “saltar a tampa”. Todos. Saber quais são essas coisas ajuda-nos a não deixarmo-nos ser dominados por elas.
  9. Nunca fica zangado/a
    Existe uma ideia errada que as pessoas com elevada inteligência emocional não se zangam. Ser emocionalmente inteligente não é sobre ser boa pessoa, mas sim sobre gerir as nossas emoções para obter os melhores resultados possíveis. Mascarar emoções não é genuíno, nem produtivo. Tentar mostrar sempre que não estamos zangados, não é uma forma saudável de trabalhar com as emoções.
  10. Culpa terceiros pela forma como lhe fazem sentir
    Pessoas com elevada inteligência emocional responsabilizam-se pelas suas emoções. Ninguém nos pode fazer sentir algo, sem a nossa permissão. Podem influenciar e conduzir-nos até lá, claro, mas em última instância, essa reação parte da nossa “permissão”. Embora as emoções surjam de forma automática e inconsciente, temos a seguir a opção de escolher o que vamos fazer com elas.
  11. Ofende-se facilmente
    Pessoas com elevado QE são autoconfiantes e sabem rir-se delas próprias. Conseguem utilizar o humor em várias situações, reenquadrando muitos eventos que lhe ocorrem no dia-a-dia, sem se deixarem sentir ofendidas. Claro que em situações de ofensa verdadeira e rebaixamento, tomam decisões assertivas de forma a tentar resolver a situação.

Tradução adaptada de https://www.entrepreneur.com/article/288181

Como Evitar Que a Pressão se Transforme em Stress

Nem toda a pressão que sentimos no dia-a-dia precisa de transformar-se em stress. Não é o que acontece connosco que nos afeta, mas sim o que fazemos com o que acontece connosco. E existem algumas coisas que podemos fazer para que a pressão não se transforme sempre em stress.

Um artigo da Harvard Business Review (HBR) menciona algumas técnicas/rotinas para que a pressão/ansiedade não se torne em stress e que decidimos traduzir e adaptar.

O ponto essencial é entender que o stress não é causado pelas outras pessoas ou por eventos externos, mas sim pela forma como NÓS reagimos a esses fatores (é por essa razão que para certas pessoas, gerir prazos, chefes e colegas de trabalho é stressante e para outras pessoas não).

Pressão não é stress. Mas pode tornar-se em stress se adicionarmos um ingrediente: a ruminação, isto é, a tendência de estarmos constantemente a pensar no passado e nos futuros acontecimentos, adicionando carga negativa a esses pensamentos.

Vamos ver 4 passos/técnicas recomendados para conseguirmos trabalhar a pressão que sentimos.

  1. Acorde/Esteja Conectado: A maioria das pessoas está diariamente em “piloto automático” (por exemplo: fazer um percurso de carro e não se lembrar de o ter feito). Este modo de “piloto automático” dá espaço ao cérebro para entrar em modo de “ruminação”, por isso tem que ser quebrado. Levante-se, mexa-se e faça qualquer movimento que o faça sair desse modo e conecte-se com os seus sentidos, tome atenção ao que vê, ao que cheira, prova e sente. O objetivo é (re)conectar-se com o mundo.
  2. Controle a sua Atenção: Quando se entra em modo de ruminação, a nossa atenção fica retida num loop contraproducente. É necessário focarmo-nos em outras áreas. Desenhe um círculo numa página e escreva dentro do círculo todas as coisas que pode controlar e influenciar e fora do círculo escreva as coisas que não pode controlar nem influenciar. É possível preocuparmo-nos com externalidades sem que elas nos aborreçam ou nos afetem negativamente.
  3. Perspectivar: As pessoas que ruminam tendem a exagerar, enquanto que as pessoas mais resilientes tendem a colocar as coisas sob perspetiva. Como fazer isso?

– Contrastar (comparar uma situação de grande stress no passado com a situação de stress atual ou comparar um problema no trabalho com uma doença);

– Questione-se: “Será esta situação relevante daqui a 3 anos?”, “O que é que de mau pode acontecer?” e “Como posso ultrapassar isto?”;

– Reajuste-se: “Que oportunidade posso tirar desta situação e que ainda não dei conta?” ou “Qual a parte mais cómica desta situação?”.

  1. Let go“: O passo mais difícil. Através destes passos importa entender que gostando ou não da situação, as coisas são o que são. Às vezes, a solução não é relaxar, mas sim fazer algo em relação à situação que nos cria pressão/ansiedade. Perguntem a vocês próprios “Que ação preciso de fazer na minha situação?”.

 

Tradução adaptada de https://hbr.org/2017/03/pressure-doesnt-have-to-turn-into-stress?utm_campaign=hbr&utm_source=facebook&utm_medium=social

#10 Desafio 2017 – Expressão Emocional

Olá!

Chegamos ao mês de Outubro e é altura de mais um desafio mensal.

Ao longo do ano temos lançados vários desafios mensais para todos aqueles que querem desenvolver a sua Inteligência Emocional. Esta área trabalha-se através da repetição de técnicas, de metodologias. Se não treinarmos, não conseguimento aumentar o nosso QE (Quociente Emocional).

Este mês é tempo de desenvolvermos a Expressão Emocional. Este é um tema que a maioria das pessoas não valoriza, mas que tem efeitos gigantescos no nosso bem-estar, que irei indicar em baixo.

Os últimos 9 desafios que lançamos, foram:

 

Em primeiro lugar, temos que entender que todas as emoções servem um propósito e que não existem boas ou más emoções, existem sim, emoções que são mais ou menos agradáveis. Mas mesmo aquelas que são menos agradáveis de sentir, também servem um propósito.

Socialmente, e na maioria das culturas, expressarmos as emoções é algo errado. Devemos manter as emoções para nós mesmos, é o que dizem. Embora em certos contextos sociais precisamos de o fazer, se o fizermos continuamente e em todos os momentos da nossa vida, vamos começar a prejudicar a nossa saúde física, mental e os nossos relacionamentos.

Emotional leaking é um termo que mostra que quando acumulamos muitas emoções desagradáveis, estas começam a verter. É como um balde que vai enchendo, até começar a derramar. E ao verter, começamos a dizer e a fazer coisas que magoam, desrespeitam e insultam as pessoas à nossa volta. Pode também acontecer, em momentos de maior sensibilidade, começarmos a chorar sem razão aparente. As nossas emoções precisam de ser ouvidas e expressas, sob pena de prejudicar a nossa vida.

E como o fazer? Existem duas grandes formas: partilhar aquilo que estamos a sentir com alguém que nos seja confidente ou escrever um diário sobre o nosso dia-a-dia e o que nos perturba.

Existem vários estudos que mostram o enorme impacto de expressarmos as nossas emoções. Um dos estudos, foi feito com pacientes com fibromialgia. Esses pacientes escreveram durante 20 minutos por dia, durante 3 dias e com intervalos de uma semana ao longo de alguns meses. Estes pacientes experienciaram redução significativa na sua dor, menor fadiga e melhor estado psicológico.

A expressão emocional também nos permite comunicar melhor com as pessoas à nossa volta, desde que esta comunicação seja feita de forma saudável. Não comunicarmos como nos estamos a sentir, em certos contextos, é prejudicial para o impacto que queremos causar com a nossa mensagem.

Então, a expressão emocional não é algo insignificante e que podemos descurar, mas sim algo que devemos trabalhar diariamente, de forma a aumentar a nossa Inteligência Emocional.

Com isso em mente, lançamos-te este novo desafio este mês, que podes ver na imagem em baixo.

Bons treinos!

 

 

 

 

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