Mês: Fevereiro 2018

Quebrar o Ciclo de Stress e Distração com Inteligência Emocional

O foco ajuda-nos a sermos pessoas bem-sucedidas. Porém, o nosso foco e a atenção tendem a ser sequestrados com alguma regularidade, fazendo-nos sentir cansada/os, esquecida/os e incapazes de manter a concentração.

Quantos de nós já não pensámos para os nossos botões:

  • Sinto-me completamente sobrecarregada/o;
  • Sem ser trabalhar, nunca tenho tempo para mais nada;
  • Sinto-me exausta/o, física e mentalmente, e distraio-me constantemente no escritório.

Contudo, importa perceber se são apenas as distrações constantes e a falta de tempo que cortam o nosso foco ou se também podemos estar sob stress crónico.

O stress crónico inunda o nosso organismo com cortisol e adrenalina, que diminui as funções cognitivas importantes. Durante décadas foram realizados vários estudos onde demonstram os efeitos negativos do stress sobre o foco, memória e outras funções cognitivas.

Os resultados são consistentes – o stress de curto prazo eleva os níveis de cortisol (a chamada hormona do stress) por períodos curtos, que, por sua vez, nos ajuda a sentir motivada/os a realizar algo de forma mais eficiente e num curto espaço de tempo. Por sua vez, o stress prolongado pode levar a níveis elevados de cortisol no nosso organismo e isso pode ser tóxico para o cérebro.

Quando não nos conseguimos concentrar no trabalho, devido a distrações, isso pode-nos levar a sentir stress por não estarmos a ser produtiva/os, o que, simultaneamente, faz-nos reduzir o nosso foco, alimentando ainda mais o ciclo. O que maioria de nós não percebe é que o foco entra em declínio até ficar completamente sobrecarregado.

Quando o esgotamento mental e emocional inicia o seu processo, drena a nossa capacidade de foco, concentração e capacidade de recuperação de informações.

Mas então porque motivo algumas pessoas se sentem afetadas e outras não?

Um grande motivo é devido à forma como quebram este ciclo! Há pessoas que usam a sua Inteligência Emocional para gerir de forma mais eficaz esse stress e potenciá-lo a seu favor, ao em vez de se deixarem afundar por ele.

E como?

Primeiro devemos utilizar a nossa autoconsciência e questionarmos:

  1. Porque motivo sinto-me stressada/o e ansiosa/o?

Antes de lidares com o stress, precisas perceber porque motivo estás stressada/o. Por mais tolo que possa parecer, pode ser bastante útil fazeres uma lista das tuas “fontes de stress”.

Aponta num caderno ou num documento no teu computador, cada coisa na tua vida pessoal ou profissional que te está a provocar ansiedade. Depois categoriza cada coisa em “situações que tu tens o poder mudar” e “situações em que tu nada podes fazer para as mudar”.

Para os elementos que estão na última categoria, vais ter que descobrir como mudar a tua atitude face a eles.

  1. Porque motivo estou a perder a minha capacidade de concentração?

De acordo com alguns psicólogos clínicos, uma forma de aprimorar o nosso foco é entender, em primeiro lugar, para onde, quando e como a nossa mente vagueia quando mais precisamos dela focada.

Ao prestar atenção aos padrões que nos levam à falta de foco, podemos começar a desenvolver técnicas preventivas para desconsiderar as distrações e mantermo-nos focados naquilo que importa no momento.

  1. Como me sinto quando não me consigo focar?

Quando não consegues aceder à tua memória para lembrares-te de informações, em momentos cruciais, tais como numa entrevista de emprego, numa reunião com um cliente importante, num exame ou numa apresentação altamente importante, sentes-te ansiosa/o? Sentes-te tenso e meio atordoada/o enquanto forças o teu cérebro para encontrar as palavras certas para o tal e-mail importante?

Estes “sintomas” podem ser pistas para analisares se a tua falta de concentração te está, ou não, a provocar ainda mais stress.

  1. Como me sinto no momento em que perco a capacidade de concentração?

Como ficas naquele momento? O que fazes? Dás por ti, realmente muitíssimo preocupada/o com algo, a conduzir, com crianças no carro, em “piloto automático” e, ao chegares a casa, não conseguires recordar o percurso acabado de fazer?

Se isto acontece, estás-te a por a ti e outros em perigo. É sinal que tens de decidir em afastar as preocupações para mais tarde!

Depois destas perguntas estarem respondidas e analisadas, podes perceber que ganhaste uma maior consciência do que te provoca o stress, como e quando perdes a tua concentração.

Em seguida, podes usar as seguintes estratégias para melhor gerires emocionalmente o stress e manteres-te focado:

  1. Faz uma desintoxicação digital. Um estudo realizado pela The American Psychological Association (APA) descobriu que as pessoas que estão constantemente atentas às notificações, os “constant checkers” – que estão sempre a saltitar entre verificar o e-mail, textos e redes sociais – sentem mais stress do que aqueles que não o fazem. Mesmo que tenhas o telemóvel ou o computador do trabalho, faz os possíveis para estares “psicologicamente desconectado” fora do horário de trabalho;

 

  1. Descansa o teu cérebro. Todos nós já passamos pela experiência de estar noites em claro a ruminar em problemas atuais, eventos passados, medos ou ansiedades futuras. Se estas noites forem assíduas, a privação de sono não vai tornar fácil o foco e a nossa capacidade de interpretar eventos, assim como o nosso julgamento, vão ficar afetados. Mesmo com excesso de trabalho e stressada/o faz de forma a que tenhas 7/8 horas de sono, por noite, e acredita que vais ver os benefícios rapidamente.

 

  1. Pratica a Atenção Plena (Mindfulness). Esta prática permite treinar o nosso cérebro para diminuir a nossa tendência para tirar conclusões e reações precipitadas de fácil arrependimento pouco tempo depois. A prática da Atenção Plena aumenta a rede de atenção clássica no sistema fronto-parietal do cérebro, potenciado a atenção. Ou seja, a Atenção Plena é uma das chaves essenciais da resiliência emocional, sendo esta um dos fatores principais para a rápida recuperação do stress.

 

  1. Muda o teu foco para os outros. Quando nos fixamos nas nossas próprias preocupações e medos, estamos a tirar a atenção do que verdadeiramente interessa. Estudos comprovam que ao mudar o foco para os outros, produz efeitos fisiológicos que nos acalmam e fortalecem a nossa resiliência. Se prestarmos mais atenção aos sentimentos e necessidades de outras pessoas (e preocupação genuína), podemos não só distrair a nossa mente do stress, como colher os benefícios de estarmos a ajudar alguém de quem gostamos.

 

Por norma achamos que temos de trabalhar ainda mais quando temos problemas de concentração. Errado. Esta prática a longo prazo não vai ser benéfica. Ao em vez disso, presta atenção aos sinais que a tua mente e o teu corpo te transmitem e cria um plano de ação para criar estratégias preventivas para dares tempo de recuperação às funções neurológicas do teu cérebro que permitem a tua concentração e consciência.

 

 

Tradução adaptada de https://hbr.org/2017/12/break-the-cycle-of-stress-and-distraction-by-using-your-emotional-intelligence

A Importância da Inteligência Emocional nos Relacionamentos

Nós somos seres sociais, foi assim que evoluímos desde nos nossos antepassados caçadores-recolectores até os dias de hoje. Não somos uma ilha, pois vivemos rodeados de pessoas, amigos, familiares e parceiros amorosos e devemos fomentar essas relações, não só pelo óbvio facto de que precisamos de relações intrapessoais para comunicar e conseguir alcançar aquilo que queremos, mas também porque a qualidade dos nossos relacionamentos está diretamente relacionada à nossa felicidade e também à nossa saúde. Ao não trabalharmos os nossos relacionamentos, caminhamos em direção ao isolamento social e isso tem consequências desastrosas. Estudos realizados durante mais de duas décadas, envolvendo mais de 37.000 participantes mostraram que o isolamento social, isto é, aquele sentimento de que não temos ninguém com que possamos desabafar e partilhar os nossos sentimentos, duplicava a hipótese de doença ou morte.1

 

Outro estudo científico, feito em 1987, indicou que o isolamento é tão significante para a taxa de mortalidade, como fumar, uma elevada pressão arterial, elevado colesterol, obesidade ou a falta de exercício físico. O mais impressionante é que este estudo indica que fumar aumenta o risco de mortalidade num fator de 1,6, enquanto o isolamento social aumenta o risco num fator de 2,0, tornando-o no maior risco para a nossa saúde. No entanto, atualmente damos muita importância ao tabagismo, obesidade, pressão arterial e colesterol e tão pouca importância aos nossos relacionamentos. Curiosamente, quando vamos ao médico, ele não nos pergunta como estão os nossos relacionamentos e não nos dá indicações de como trabalhá-los e fomentá-los, de como fomentá-los, embora esta prática também tenha um enorme impacto na nossa saúde.Uma parte vital da inteligência emocional são os nossos relacionamentos. Se tivermos laços mais fortes, vamos-nos sentir mais felizes, a nossa saúde vai melhorar e conseguiremos atingir o sucesso pessoal e profissional mais facilmente.

 

Um estudo feito a 100 pacientes de transplante de medula óssea mensurou o poder de ter laços pessoais fortes. Entre os pacientes que sentiam que tinham um forte suporte emocional do seu parceiro, família ou amigos, 54% sobreviveu aos transplantes após dois anos, em comparação com 20% daqueles que reportaram que sentiam que tinham pouco suporte.É impressionante o que fomentarmos bons relacionamentos faz ao nosso bem-estar e própria longevidade. Somos um ser social e não podemos descurar essa parte. Cada vez mais com o uso das tecnologias, tem-se perdido o contacto social mais direto, partilhar experiências, olhar nos olhos, mostrar interesse pelo outro. E ao mesmo tempo, cada vez mais existem pessoas que reportam sentir maior infelicidade, níveis de depressão e ansiedade. Sim, existem vários fatores que influenciam estes dados, mas a qualidade dos relacionamentos pessoais é um dos fatores fortes.

 

Os nossos relacionamentos impactam todos à nossa volta. Logo, uma outra vantagem de trabalharmos os nossos relacionamentos é o impacto positivo que irá ter nas crianças, isto para aqueles que são pais. Muitas vezes não nos apercebemos, mas o nosso comportamento influencia o dos nossos filhos. Quando são novos, os nossos filhos utilizam a observação para aprenderem comportamentos para depois eles próprios utilizarem no futuro. Se as crianças tiverem pais que se relacionem bem entre eles, que se relacionem bem consigo próprios e que os apoiem emocionalmente, então mais provavelmente vão repetir esse comportamento no futuro. Existem inúmeros estudos que demonstram que, os métodos utilizados pelos pais para educarem os filhos, seja com “mão pesada” ou com entendimento e empatia, com indiferença ou carinho, têm grandes e longas consequências na vida emocional da criança.

Carole Hooven e John Gottman, da Universidade de Washington, fizeram microanálises com base nas interações entre casais e como estes lidam com os filhos e descobriram que aqueles que eram mais competentes emocionalmente no seu casamento também eram mais eficazes em ajudar os seus filhos nos seus altos e baixos emocionais.

 

A inteligência emocional ajuda-nos a entender como devemos fomentar e potenciar os nossos relacionamentos pessoais. As relações requerem esforço, compromisso e entender o outro lado. Se apenas fizermos o que nos apetece no momento, sem ter em consideração o outro lado, vamos deteriorar a qualidade dos nossos relacionamentos. É importante entender que as relações constroem-se e que a qualidade dessa construção depende de nós.

 

1. Medical risk of social isolation: James House et al., “Social Relationships and Health,” ScienceQuly 29,1988)

2. House, “Social Relationships and Health”

3. Strain, “Cost Offset.

#2 Desafio 2018 – Autoestima

Chegamos ao mês de Fevereiro e é tempo de lançarmos o nosso 2º desafio mensal!

O mês passado lançamos o desafio sobre Consciência Emocional. Este mês vamos lançar um desafio sobre a Autoestima. A autoestima também é uma componente importante para desenvolvermos a nossa Inteligência Emocional.

A autoestima reflete a avaliação de uma pessoa sobre ela própria. É um julgamento que faz sobre as suas capacidades e sobre o seu valor, englobando crenças e estados emocionais. Esta capacidade é muito importante para obtermos um maior sucesso pessoal e profissional.

Vários estudos têm sido feitos sobre a relação entre a autoestima e os nossos relacionamentos amorosos. Em geral, a evidência desses estudos sugere que uma autoestima elevada é benéfica para os relacionamentos e inclusive que tem um efeito positivo na felicidade do parceiro.

Não só a autoestima é importante para o nossos relacionamentos, como também para o nosso sucesso académico e profissional. Foi feito um estudo com 200 estudantes de uma escola primária, tendo mostrado que a autoestima, a orientação para objetivos e desempenho académico estavam correlacionados.

A autoestima divide-se em várias partes e existem várias teorias sobre como é que esta se forma. Mas uma das coisas que tende a ser unânime, é que a autoestima constrói-se através do nosso discurso interno, da história que contamos a nós próprios. Todos nós temos uma história que contamos a nós próprios diariamente e que vai moldando a perceção e imagem que temos sobre nós próprios, afetando a nossa autoestima.

Então o nosso desafio vai incidir sobre essa parte. Durante este mês, muda a tua história interior. Cada vez que te deparares com um pensamento distorcido, pensa num argumento para contrariares esse pensamento. E por cada pensamento negativo que vier à mente, pensa em algo positivo, de forma a equilibrar a carga emocional dessa história. É um treino desafiante e vai ser difícil ao início, mas cada dia que passar vai tornar-se mais fácil.

 

 

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