Mês: Junho 2018

És apaixonado pela Performance, mas essa paixão tira-te o foco das pessoas? Tenta esta abordagem

Existem pessoas apaixonadas por manterem uma performance ao mais alto nível! Pessoas com uma energia fenomenal e com ideias efervescentes focadas continuadamente em melhorias.

E sendo estas caraterísticas excelentes e bastante procuradas no mundo empresarial, por vezes, parece gerar stress e alguma resistência nas equipas com quem essas pessoas trabalham.

E por que motivo isso acontece?

Pessoas apaixonadas pela sua performance são altamente focadas em tarefas. Na cabeça delas fervilham objetivos, atividades e listas de “to-do”. Basicamente, é como se essas pessoas estivessem montadas numa Harley-Davidson e andassem na autoestrada a toda a velocidade, ao ponto de deixarem de reparar na sinalização e marcas rodoviárias.

Ou seja, existem momentos em que toda essa energia deixa de estar focada na equipa, isto é, num grupo de pessoas reunidas para a mesma tarefa ou ação, pecando no reconhecimento de como os restantes membros se estão a sentir, nomeadamente em termos de stress, ansiedade, cansaço ou falta de engagement.

Quando isto acontece é altura de rebalancear o foco e tentar melhorar a capacidade de conectar com o ambiente emocional da equipa e tentar perceber como criar uma cultura organizacional que ajude a inteligência emocional prosperar.

Se és ou conheces uma dessas pessoas, vamos mostrar-te a abordagem EAR que pode ajudar a restabelecer o foco. Esta abordagem deve ser utilizada por todas as pessoas, não só por aquelas que têm menos foco nas pessoas e na equipa.

Abordagem EAR

  • Engage: sintonizar a 100% com o que se passa com os membros da equipa. Focar só neles, como um detetive de inteligência emocional! Tentar perceber se há alterações de respiração, da própria aparência e postura corporal. Ter atenção ao tom de voz das pessoas, ao ritmo, volume, entoação e hesitação. E, acima de tudo, procurar ter atenção a como as pessoas se sentem;
  • Aceitar: aceitar as emoções e procurar compreende-las. E, acima de tudo, procurar compreender as emoções dos outros, esquecendo o que é certo e o que é errado. Procurar resistir à tentação de reagir, interpretar ou culpar. Procurar compreender ao em vez de julgar;
  • Responder: comunicar compreensão. Sabias que, quando uma pessoa sente conforto por os seus sentimentos serem compreendidos, a pressão sanguínea baixa, promovendo um alivio da ansiedade e stress? É fundamental investir algum tempo em perceber como é a melhor forma de dinamizar a compreensão genuína pelos diferentes momentos da equipa, quer de forma individual e coletiva.

 

E porque motivo tudo isto é importante?

As emoções são contagiosas e toda a gente olha para quem está hierarquicamente em cima. Se essa pessoa estiver “de humores” isso vai afetar o dia de trabalho de toda a equipa. Quantas vezes não ouvimos dizer ou nós próprios dizemos “hoje não é um bom dia para tratar desse assunto com ele/a, talvez amanhã…”. E quando isto é recorrente deixa marcas na forma como gerimos as nossas relações profissionais, porque passamos a evitar essa pessoa no futuro… é um mecanismo de autoproteção do cérebro.

O nosso cérebro vive de reconhecer padrões e quando ocorre uma falha nesse padrão – uma explosão emocional – o cérebro é constantemente distraído para esse erro.

E qual a consequência? O cérebro tem menos energia disponível para concentrar-se em tarefas de trabalho e tornamo-nos menos capazes de resolver problemas complexos e começamos a cometer erros em coisas simples. A frustração e o sentimento de insegurança em nós aumenta e acabamos por passar a desempenhar tarefas abaixo do nível ótimo para não nos comprometermos.

E isto é um círculo vicioso que condena a produtividade, performance e o engagement de qualquer empresa.

A concentração na criação de um ambiente em que os colaboradores experienciem uma cultura organizacional emocional como recompensadora ajudará a fomentar a partilha, a confiança entre a equipa, incentivará a comportamentos de risco saudável e maximizará a aprendizagem.

Vamos começar a treinar a abordagem EAR?

 

Inspirado e adaptado de

https://www.trainingzone.co.uk/lead/strategy/emotional-intelligence-the-ear-approach

#6 Desafio 2018 – Alimentação

Chegamos a Junho e é altura de mais um desafio para desenvolver a nossa Inteligência Emocional!

Recordamos os últimos cinco desafios mensais:

O desafio deste mês não é uma categoria da Inteligência Emocional, mas é uma categoria que afeta e é afetada por ela. Este mês vamos-nos dedicar à nossa Alimentação.

Tem sido evidenciado que as doenças não transmissíveis como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes, causaram a morte prematura de 40 milhões de pessoas por todo o mundo (OMS, 2007). As causas são multiplas, mas a fraca qualidade da alimentação é um fator forte e que tem vindo a ser estudado crescentemente nas últimas décadas.

Neste contexto, têm vindo a ser implementadas algumas estratégias, como avisos nutricionais para ajudar os cidadãos a tomarem melhores decisões nutritivas, mas apesar de todos os esforços, os resultados têm estado muito aquém do desejado. E porquê? Porque os instrumentos foram desenhados baseados nas capacidades cognitivas dos consumidores (Prieto-Castillo, Royo-Bordonada, & MoyaGeromini, 2015) e assume que os consumidores estão conscientes dos prós e contras das suas escolhas alimentares. No entanto, não é isso que acontece.

Muitas escolhas que fazemos são inconscientes e as nossas decisões utilizam várias heurísticas, através de informação emocional incompleta que nos faz escolher alimentos menos saudáveis, porque têm um melhor sabor e mais calorias. Como consequência, as pessoas focam-se em ganhar benefícios a curto prazo (prazer, sabor), omitindo as consequências que traz para a saúde a longo prazo.

Então, não podemos apenas utilizar uma abordagem cognitiva para mudarmos a nossa alimentação e consequentemente, melhorar a nossa saúde. E é precisamente aí que a Inteligência Emocional pode trazer uma ajuda.

Embora não existam muitos estudos atualmente entre a Inteligência Emocional e a Alimentação, existem alguns estudos que mostram uma ligação positiva com vários tipos de tomadas de decisão mais saudáveis.

Galdona et al., (2011), indicou que as pessoas jovens com maior IE (Inteligência Emocional), reportam um maior nível de bem-estar psicológico e físico obtido através da prática regular de exercício físico. Por outro lado, alguns estudos demonstram uma relação negativa entre a IE e comportamentos pouco saudáveis. Brackett et al., (2004) sugeriu que os estudantes com reduzida IE têm mais probabilidade de ter comportamentos inapropriados, como consumir drogas ilegais e consumir álcool em excesso. Entretanto, Filaire et al. (2012), mostrou que os atletas com menor IE tendem a utilizar a comida como estratégia de compensação quando têm um pior desempenho.

Um estudo sobre a IE e a Alimentação foi feito por Kidwell et al. (2008), que mostrou que os consumidores com maior IE, resistem mais a comidas tentadoras e escolhem mais opções saudáveis.

O desafio deste mês passa por utilizares a Inteligência Emocional na escolha das tuas opções alimentares. Durante este mês presta atenção ao seguinte:

  • Quando te apetecer um alimento menos saudável, tenta observar de onde veio esse desejo. Deve-se a alguma compensação sobre algo que aconteceu, estás com menos energia, estás mais frustrado ou triste, não comes há várias horas, ou que outro motivo será?
  • Ganha mais consciência dos alimentos que ingeres diariamente, em vez de pedires e consumires de forma mais automatizada. E, sempre que possível, substitui um potencial alimento menos saudável por um mais saudável (água em vez de bebida açucarada, salada em vez de batatas fritas, menos açúcar no café (ou sem açúcar), etc). Esta consciência e substituição alimentar, ao longo de todo o mês, vai fazer diferença.

Bons treinos!

 

 

 

 

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