Mês: Janeiro 2019

EGO – O Inimigo de Um Líder

Quanto mais importante o cargo numa empresa/organização, maior a probabilidade de ficarmos com um ego inflacionado, mais conhecido como “ego inchado”.

À medida que se sobe na hierarquia de uma empresa/organização, por norma adquire-se igualmente mais poder e, com isso, torna-se mais provável que as pessoas à nossa volta se tornem mais propensas a agradar-nos, a ouvirem-nos com mais atenção, a concordarem mais e a rirem-se mais das nossas piadas.

Basicamente, fazem-nos sentir “a última bolacha do pacote” e tudo isso faz cócegas no nosso ego, porque todos nós gostamos que gostem de nós.  E quanto mais o nosso ego sofre cócegas, mais se sente agradado e, consequentemente, mais ele crescerá.

O nosso ego é como um alvo e quanto maior, mais vulnerável de ser atingido.

Como o nosso ego anseia por atenção positiva, pode tornar-nos mais suscetíveis a sermos manipulados, porque ficamos mais previsíveis. Um ego inflacionado estreita a perspetiva porque apenas se foca em informações que confirmam o que ele quer acreditar. Basicamente, um ego inflacionado faz-nos ter um forte viés de confirmação. E, por isso, perdemos a perspetiva e acabamos numa bolha de liderança onde só vemos e ouvimos o que queremos.

Quando somos vítimas da nossa própria necessidade de sermos vistos como ótimos, acabamos por tomar decisões que não só nos são prejudiciais, como o são para a nossa empresa, equipa e pares. Como resultado, perdemos o contacto com as pessoas que lideramos, com a cultura da qual fazemos parte e, finalmente, com nossos clientes e partes interessadas.

Quando acreditamos que somos o único arquiteto do nosso sucesso, tendemos a ser mais rudes e egoístas, criando um muro defensivo que nos impede de aprender com os erros.

Especialistas em neurologia, psiquiatria e ciências comportamentais chamam a este fenómeno de “síndrome de húbris”, em que se define como uma desordem comportamental fruto da posse de poder e influência, particularmente associados a um sucesso esmagador por um largo período de anos.

Quando isto acontece, é necessária uma rutura de hábitos e requer abnegação, autoconsciência e coragem.

Estratégias para quebrar um ego inflacionado:

  • Considerar todos os privilégios associados a uma determinada função e que têm como único objetivo promover apenas o status e o poder (ou seja, são totalmente inócuos ao desempenho da função): tal como um lugar reservado no estacionamento ou uma chave de elevador de acesso direto ao andar do escritório, entre outros. Abdicar publicamente desses privilégios;
  • Apoiar, desenvolver e trabalhar com pessoas que não alimentam egos. Contrate pessoas emocionalmente inteligentes, assertivas e confiantes que não sentem necessidade ou obrigação de alimentar egos;
  • Criar o hábito diário de refletir sobre as pessoas que tornam possível o sucesso desse dia. Isto ajuda a desenvolver uma cultura de gratidão e humildade que permite interiorizar a importância de todos os elementos de uma empresa/organização e partes interessadas. Mais do que desenvolver o sentimento de gratidão e humildade, há que genuinamente demonstrá-lo diariamente.

O ego inflacionado desenvolve-se com o sucesso – o salário maior, o escritório mais agradável, as risadas fáceis – fazendo-nos sentir como se tivéssemos encontrado a resposta eterna de como se deve ser um líder. Mas, a realidade, é que essa resposta eterna não existe.

Se deixarmos nosso ego determinar o que vemos, o que ouvimos e em que acreditamos, deixamos que o nosso sucesso passado, prejudique o nosso sucesso futuro.

Liderança é sobre pessoas e as pessoas mudam todos os dias. A partir do momento em que acreditamos que encontrámos a chave-mestra para liderar pessoas, acabámos de perder.

 

 

Tradução livre e adaptada:

 https://hbr.org/2018/11/ego-is-the-enemy-of-good-leadership?fbclid=IwAR02sD95pnBR_a0pRxZz4Du0pRVNMLKZtqEKU-L-9bU4-P5E14P8SeW8foc

 

#1 Desafio 2019 – Autoconsciência

Ano novo, desafios novos!

Em 2017 iniciámos os nossos desafios mensais, para que quem nos acompanha pudesse treinar a sua Inteligência Emocional. Uma das dificuldades em desenvolver as nossas competências socioemocionais, é a falta de foco no que treinar e quando treinar.

Desta forma, podemos nos focar numa competência chave em cada mês, e com isso, aumentar a nossa Inteligência Emocional.

Para o primeiro desafio de 2019, vamos treinar a nossa Autoconsciência. A autoconsciência representa a capacidade de nos tornarmos o objeto da nossa própria atenção. É a pedra pilar da Inteligência Emocional, portanto é a primeira competência que devemos treinar.

O sociólogo George Mead (1934), propôs uma distinção clássica entre focar a atenção para fora do ambiente (consciência) e focar a atenção para dentro (autoconsciência). Podemos ser conscientes, mas faltar-nos autoconsciência.

Como diz o provérbio Africano: “Se não existir um inimigo interior, o inimigo exterior não nos consegue fazer mal”. Se nos conhecermos bem, se entendermos as nossas reações emocionais, os nossos gatilhos, o que nos move, como fazer para aumentar as nossas emoções positivas e regular as nossas emoções negativas (ou mesmo intensificá-las, se for necessário), conseguimos ter uma resposta muito mais ativa sobre o meio que nos envolve, não sendo tão afetados pelo mesmo.

A nossa capacidade de refletir sobre nós próprios facilita a navegação no meio social. Uma das vantagens de trabalhar a nossa autoconsciência, liga-se a uma melhoria na nossa autorregulação. Porque para aplicar estratégias de regulação emocional eficazmente, precisamos de estar conscientes que aspetos precisam ser modificados.

No nosso local de trabalho, a autoconsciência é também de extrema importância. Os psicólogos organizacionais Cary Cherniss e Robert Caplan revelaram que o ensino de competências de consciência emocional a consultores financeiros da American Express Financial Advisors, que aprenderam a identificar as suas próprias reações emocionais em situações de desafio e a ficarem mais conscientes das conversas interiores improdutivas, que originavam insegurança e vergonha, resultou num aumento de receitas por consultor. Essa consciência emocional permitiu-lhes usar estratégias para lidar com os problemas e, puderam assim, ser mais eficazes no trabalho, gerando mais rendimentos para si próprios e, presumivelmente, aconselhando melhor os clientes (Chermiss & Goleman, 2001).

Uma das formas de treinarmos a nossa autoconsciência, é monitorizarmos o nosso discurso interior. Para o desafio deste mês, presta atenção a como respondes aos teus sucessos e aos teus fracassos: costumas atribuir apenas o fator sorte aos teus sucesso e criticas-te pelos teus fracassos? O tipo de discurso interior que temos, tende a retornar em forma de feedback, alimentando esse próprio discurso. Fica atento/a e monitoriza o teu discurso.

 

 

Referências bibliográficas

Chermiss, C. & Goleman, D., 2001. The Emotionally Intelligent Workplace: How to Select For, Measure, and Improve Emotional Intelligence in Individuals, Groups, and Organizations. s.l.: Jossey-Bass.

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