Mês: Março 2019

3 Questões Para Desenvolver a Inteligência Emocional

O Que É A Inteligência Emocional?

A Inteligência Emocional tem várias definições, consoante a teoria e a corrente que a estuda. Uma das definições que podemos utilizar, é dada por Daniel Goleman, o grande impulsionador deste conceito, que a define como: a capacidade de reconhecer, entender e gerir as próprias emoções, bem como reconhecer entender e influenciar as emoções das outras pessoas.

Este conceito trabalha à volta do tema das emoções. As emoções alteram a nossa estrutura de pensamento e mudam a nossa perceção do mundo. Se não entendermos isto e se não formos inteligentes na forma como utilizamos as nossas emoções, vamos ter mais dificuldade em ter mais objetividade sobre as situações que surgem à nossa volta e consequentemente, tomaremos piores decisões, influenciando negativamente o resultado que obtemos na nossa vida.

Desenvolver a Inteligência Emocional Não É Fácil

Nas minhas formações, é comum alguns participantes verbalizarem que não é fácil colocar em prática aquilo que estamos a falar. E outros que não o verbalizam, também se nota que sentem o mesmo, pela sua linguagem corporal.

E será que eles estão errados? Longe disso. Realmente não é fácil desenvolver a nossa Inteligência Emocional. Somos seres de hábitos, seres de rotinas automatizadas. O nosso cérebro tem como uma das suas funções principais, a otimização dos recursos, a poupança energética. Então, perante os estímulos habituais, ele responde de forma habitual. Isto faz com que consiga otimizar os seus processos ao máximo e poupar a tão valiosa energia. A partir do momento que começamos a alterar rotinas, formas habituais de fazer ou responder a algo, o cérebro tem que formar novas ligações neurológicas, sente maior incerteza no processo e começa a experienciar alguma ansiedade. Então, quer voltar ao estado original, “lutando” contra este processo.

Esta situação acontece e vai continuar a acontecer. No entanto, ao contrário do que se fala muitas vezes, esta forma de operar não é negativa para nós, muito pelo contrário. Se o cérebro fosse simular todas as possíveis possibilidades, estar sempre atento a todos os estímulos, habituais e novos, não conseguiria otimizar os recursos de forma eficiente e nós seríamos fortemente prejudicados. No entanto, nas situações que nós consideramos que a mudança é benéfica para nós e para aqueles à nossa volta, devemos contrariar este sistema. O restante, faz-nos bem ficar de forma mais automatizada.

A Emoção Segue a Atenção

Embora o processo de mudança e de desenvolvimento da Inteligência Emocional não seja fácil, o grande problema no tipo de pensamento verbalizado “não é fácil”, prende-se pelo facto que o nosso estado emocional segue a nossa atenção.

Só reagimos emocionalmente a algo, se a nossa atenção estiver focada nesse algo. O grande psicólogo e vencedor de um prémio Nobel Daniel Kahneman, fala de algo que se denomina “a ilusão do foco“: nada na vida é tão importante como pensamos que é enquanto estamos a pensar nela. Com uma pequena reflexão, conseguimos ver que a nossa vida está cheia de momentos mais felizes e mais tristes. Por vezes estamos felizes durante o nosso dia e de repente lembramos-nos de uma situação passada triste que aconteceu connosco ou com alguém que gostamos muito e começamos a ficar tristes. Essa situação estava lá antes, mas como não estávamos atentos a ela, não estávamos a experienciar a emoção resultante dela.

Isto significa o quê? Que se eu estiver com o pensamento que “não é fácil”, vou-me sentir mais desanimado e frustrado, fazendo com que me esforce menos e desista mais facilmente, levando a que não consiga realmente desenvolver a minha inteligência Emocional. Então, esta não é uma pergunta que me ajude, ou pelo menos, que me ajude se pensar nela logo em primeiro lugar.

Existem 3 questões que devemos colocar para desenvolver a nossa Inteligência Emocional

#1 Questão: “Quero ou Não Quero?”

Esta é a primeira questão que devemos colocar perante algum tipo de mudança, seja desenvolver a inteligência emocional, seja mudar algum tipo de hábito. Se não quisermos, se estivermos a ser obrigados, então muito dificilmente conseguimos algum resultado. Agora, se realmente quisermos, se realmente nos for benéfico e se com isso impactamos mais positivamente a nossa vida e a das pessoas à nossa volta, então esta pergunta vai gerar uma emoção positiva e forte que nos vai ajudar neste caminho. Quantos mais motivos tivermos ou quão mais fortes forem esses motivos para querermos algo, mais forte a emoção se tornará e esta será uma poderosa aliada nos dias de maior frustração em que só nos apetece desistir.

#2 Questão: “É Possível ou Não?”

Vamos assumir que queremos desenvolver a nossa Inteligência Emocional (ou outra coisa qualquer). A próxima pergunta será se é possível ou não. Mas a resposta deverá ser o mais objetiva e factual possível e não com base na nossa perceção. Eu considerar que não é possível é uma coisa, mas saber que não é possível é outra. E, tirando poucas situações no mundo, tudo o resto tende a ser possível. Existem centenas de exemplos de várias pessoas que fizeram algo que era considerado impossível. A diferença está no facto que elas tentaram e persistiram, até se tornar possível.

#3 Questão: “É Fácil ou Não?”

Então se quisermos algo e se for possível, passamos para a 3ª questão: é fácil ou não? Se repararmos, esta é a questão que alguns participantes dos meus programas colocam em primeiro lugar. Ela deve ser tida em conta, mas não deve ser a primeira questão colocada. Porque se primeiro verificarmos se queremos algo e que esse algo é possível, então o impacto desta resposta já será diferente. A nossa atenção e resposta emocional não terá o mesmo impacto do que se pensarmos logo nela em primeiro lugar.

Esta questão deve ser respondida de forma objetiva e prática. Existem situações que até são fáceis e se for esse o caso, então tudo está perfeito para nós. Queremos mudar algo e esse algo é possível e fácil! É só delinear o plano e iniciar passo a passo.

E se não for fácil? Não há qualquer problema, porque como já vimos que queremos e que é possível, apenas significa que vamos ter que despender mais tempo e energia naquilo que queremos mudar.

Em regra, quando começamos a conduzir, a praticar um novo desporto ou num novo trabalho, essas situações também não são fáceis. Mas, em regra, queremos fazê-las e sabemos que são possíveis, porque outros já o fizeram e fazem. Nessa situações, não ficamos a pensar que não é fácil, desistindo. Tipicamente, começamos passo-a-passo e vamos trabalhando e evoluindo. E ao fim de algum tempo, o que não era fácil já se torna normal. Para desenvolvermos a Inteligência Emocional, o processo é o mesmo.

As perguntas que colocamos a nós próprios são alvo de atenção do nosso cérebro. E a resposta que vier a essas perguntas vai gerar um estado emocional, estado esse que vai influenciar os nossos comportamentos e os nossos resultados.

#3 Desafio 2019 – Exercício Físico

Chegamos ao terceiro mês do ano, tempo de lançar o nosso 3º desafio, de forma a treinarmos e aumentarmos a nossa Inteligência Emocional!

Que desafios lançamos nos dois meses anteriores?

O terceiro desafio que lançamos não incide diretamente sobre uma competência da Inteligência Emocional, mas é algo que ajuda a termos melhores recursos cognitivos, emocionais e físicos, potenciando esta competência. Estamos a falar do Exercício Físico.

Sim, o exercício físico é falado transversalmente e ouvimos diariamente a necessidade de fazermos algum tipo de desporto. Mas mesmo assim, muitos de nós não praticam o exercício físico necessário para levar um estilo de vida minimamente saudável. Neste desafio queremos realçar a importância da ligação entre o exercício físico e a Inteligência Emocional.

Os indivíduos com uma elevada Inteligência Emocional são melhores a resistir a emoções intensas, a lidar com a frustração e a conseguir atingir objetivos a longo prazo. Aderir a uma prática desportiva requer regularmos a nossa frustração e a manter a nossa motivação, pelo que ao aumentarmos a prática regular de exercício físico, também desenvolvemos a nossa Inteligência Emocional e vice-versa.

No meu livro “Inteligência Emocional – uma abordagem prática“, falo do exercício físico como uma das 54 técnicas abordadas ao longo do livro, nomeadamente dentro da categoria do Autocontrolo. Um dos motivos deve-se ao facto que a prática de desporto ajuda a reduzir as preocupações.

O exercício aumenta o fluxo sanguíneo no cérebro, sendo que este aumento de fluxo serve para prover o cérebro dos nutrientes de que precisa. Com isso, também esfria o sistema límbico, reduzindo a sua atividade e consequentemente reduzindo os pensamentos mais preocupantes que temos. O aumento do fluxo sanguíneo no cérebro também está associado a muitos aspetos da saúde mental e pode beneficiar os níveis de neurotransmissores bem como o funcionamento geral de várias partes do cérebro. Os terapeutas estão a começar a compreender que o exercício é tão importante para a recuperação de doenças mentais como outros tipos de intervenção (Penedo & Dahn, 2005).

E quanto exercício físico devemos fazer? A American College of Sports Medicine’s recomenda que a atividade física inclua pelo menos 150 minutos de exercício aeróbico moderado por semana, sendo que estes 150 minutos podem ser configurados da forma que nos for mais favorável. Podem ser 30m por dia, durante 5 dias, como 45m intercalados.

A grande pergunta é sempre: como começar? Queremos deixar duas dicas muito importantes para iniciares a prática de exercício físico e experienciares os seus enormes benefícios.

  1. Traça um plano com objetivos realísticos: começa um plano com passos fáceis e rápidos para seguir. Depois vai reajustando o plano ao longo da tua evolução e capacidade física. Um grande erro é começar logo de forma intensa e longa.
  2. Transforma a prática num hábito: em vez de tornares a prática aleatória, cumpre um plano onde tenhas dias e tempos específicos para a tua prática. Ao tornares a prática de exercício físico um hábito, automatizas mais facilmente o processo e aumentas a probabilidade de sucesso.

 

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Referências bibliográficas

Penedo, F. J. & Dahn, J. R., 2005. Exercise and well-being: A review of mental and physical health benefits associated with physical activity. Current Opinion in Psychiatry, Volume 18, pp. 189-193.

 

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