Mês: Maio 2019

Como Trabalhar com Colegas que Parecem Estar “SEMPRE” Stressados?

Todos nós conhecemos colegas que parecem estar constantemente stressados – que afirmam estar enterrados em trabalho, sobrecarregados com projetos e sem um minuto de sobra, certo?

E na grande maioria das vezes, esses colegas tornam o ambiente de trabalho mais difícil, certo?

Pois é, mas como na grande maioria das vezes não podemos escolher os colegas e temos que trabalhar com eles à mesma, seguem algumas estratégias para lidares com os teus colegas, (vamos chamar-lhes de Colegas Em Stress – CES), ajudando-os a diminuírem a carga cognitiva e a te protegeres do contágio emocional tóxico.

Mas antes, importa primeiro perceber que o stress faz parte do dia-a-dia e que a capacidade de resistência/tolerância varia de pessoa para pessoa. Para certas pessoas, por variadas razões, o seu comportamento em stress torna-se o padrão habitual de comportamento. No entanto, não podemos encarar esses colegas como uns vilões ou simplesmente ignorá-los.

 

Deixamos aqui algumas estratégias para que possas utilizar.

Estratégia #1 – Não Julgues

Tal como já mencionado, a resistência/tolerância ao stress varia de pessoa para pessoa. O que é stress de nível elevado para ti, pode ser estimulante para outra pessoa. E, por essa razão, considerar a forma como a outra pessoa lida com o stress como “inadequada”, apenas gera tensão no ambiente de trabalho, principalmente quando associamos essa disposição a uma falha de caráter, em vez de vermos isso como uma caraterística.

 

Estratégia #2 – Reconhece a Causa do Stress

É fundamental para o CES sentir-se “visto e ouvido” no local de trabalho. Então, podes começar por reconhecer esse facto, dizendo algo como “Tenho notado que tens ficado até mais tarde a trabalhar nos últimos dias. Como é que vão as coisas?” e mesmo que o colega volte a discursar sobre todos os problemas e pressões que tu já sabes de cor, tenta reconhecer o que ele está a passar, dizendo algo como: “Não deve ser nada fácil”.

Não importa se tu achas que é fácil ou difícil, isto não é sobre ti. Para o CES não está a ser fácil e é isso que precisas validar. Ao reconheceres o esforço do CES e validares as suas fontes de stress, dá-te proximidade para ires mais longe na tua ajuda.

Atenção! Não deves “ativar” o CES com comentários do tipo “Não sei como tu aguentas isto!”, “Estão a abusar de ti!”. Isso não ajuda, porque estás a aumentar a carga cognitiva do CES. Se tiveres que fazer algum comentário para reforçar a validação tenta usar comentários neutros “Estás responsável por muitas coisas ao mesmo tempo”.

 

Estratégia #3 – Oferece Louvor

Uma das melhores maneiras de tirar o CES do modo luta ou fuga, é oferecendo-lhe um elogio.

Quando as pessoas sentem stress elevado, o sentimento de dúvida sobre a sua competência para desempenhar uma dada tarefa é igualmente elevado. Uma forma de ajudar o CES a recuperar a sua autoconfiança e controlo sobre a situação, é relembrando-lhe as suas conquistas, competência e pontos fortes. Mas para isto funcionar, deves referir algo específico que tenha acontecido, em vez de algo genérico.

Elogiar o desempenho de alguém no local de trabalho, de forma genuína e bem-intencionada, é uma intervenção poderosa na autoimagem dessa pessoa. Quando nós dizemos às pessoas como nós as vemos, elas aceitam e abraçam esse papel com mais facilidade.

 

Estratégia #4 – Oferece a Tua Ajuda/Perspetiva

Oferecer a nossa ajuda é sempre uma boa estratégia, mas deve ser usada com cuidado.

Nem sempre conseguimos ser grande ajuda, quando oferecemos ajuda, mas o simples ato de perguntar se podemos ajudar, muda o foco da outra pessoa para a busca de soluções e sente-se que não está por conta própria.

O ato do CES em decidir que não precisa de ajuda, dá-lhe maior ideia de controlo sobre as tarefas que tem por fazer, diminuindo a carga cognitiva.

No entanto, convém que o CES perceba que a tua oferta de ajuda é limitada e destina-se àquele momento e que não é um convite geral que pode ser usado a qualquer hora. A mensagem deve ser do género “Sou um recurso limitado e há coisas que não estou a par, mas quero ajudar-te se não conseguires dar conta de tudo”.

 

Estratégia #5 – Divide as Tarefas em Pequenas Partes

Ao lidar com um CES, é de extrema importância ajudá-los a reduzir a carga cognitiva, não através da perpetuação do facto de estarem sobrecarregados, mas sim dividindo as tarefas em partes mais fáceis de gerir.

Por exemplo, caso tenhas que passar trabalho a um CES, em vez de enviares um e-mail com toda a informação e todas as tarefas necessárias, envia a informação por etapas ou ajuda o colega a dividir as grandes tarefas, em tarefas mais pequenas, organizadas por prioridades, e mais fáceis de gerir.

O objetivo é tirar partido da capacidade de trabalho do colega e para isso é preciso reconciliar diferentes formas de trabalho ou transmitir práticas que podem ser úteis em momentos-chave.

 

Estratégia #6 – Ajuda-o a Refletir

Se a ansiedade do teu CES parecer estar a influenciar a sua capacidade de concentração (e estás genuinamente preocupado com o bem-estar dele), então ajuda-o a refletir sobre a sua situação.

Numa escala de 1 a 10, pergunta-lhe como ele se sente em termos de stress em relação a uma tarefa especifica. Para além de o obrigar a refletir e isso ajudar a baixar a intensidade do que sente, pode também ajudar a que fale sobre o que lhe está a causar stress e assim desconstruírem o objeto de stress.

O bom de pedir para ele refletir na situação, é que muitas vezes percebemos que as verdadeiras razões poderão não estar relacionadas com o trabalho, mas sim com um problema pessoal. O desabafo do problema diminui a tensão sentido pelo CES e o ato de compreender o comportamento/reação do colega faz diminuir a tensão e o impacto que a postura dele causa em nós.

 

Estratégia #7 – Distanciamento Físico/Psicológico

Apesar de querermos muito ajudar um CES, temos que estar atentos à nossa autoconsciência para percebermos o efeito que esse colega está a ter em nós.

Importa relembrar que as emoções são contagiantes e podem ser tóxicas e drenarem-nos. Caso estejas junto de um CES que te contagie com emoções tóxicas e que te drenam, é necessário criares algum distanciamento e limitares as tuas interações com essa pessoa.

Nem sempre é fácil, principalmente se estão juntos nos mesmos projetos ou até na mesma ilha de trabalho. Mas uma coisa é certa, em tudo há um lado negativo e um lado positivo. Procura o lado positivo da situação em que estás envolvido e foca-te nesse ponto.

 

Resumidamente

A fazer:

  • Oferece suporte emocional perguntando se há algo que podes ajudar. Oferece também a tua perspetiva de como te organizarias se estivesses no lugar dele;
  • Melhora a autoimagem profissional do teu colega relembrando-o das suas conquistas, competências e pontos fortes em momentos específicos;
  • Pensa em formas de diminuir a carga cognitiva do teu colega, como por exemplo, dividindo o trabalho em pequenas tarefas mais facilmente geríveis.

 

O que não fazer:

  • O teu colega pode expressar stress de forma diferente da tua, mas isso não se traduz numa falha de caráter;
  • “Espicaçar” a pessoa. Deves reconhecer o stress, mas não deves ativar essa carga cognitiva no teu colega;
  • Pensar em como mudar essa pessoa. Pensa sim em ajudá-lo a desconstruir as fontes de stress e em como o farias se fosse contigo.
  • Permitir que sejas “sugado” pela carga tóxica e drenante do teu colega.

 

Tradução adaptada de https://hbr.org/2017/08/how-to-work-with-someone-whos-always-stressed-out?fbclid=IwAR2wMHvC6GMEryzX5USdhY11x18TideeSq4r-bXe45Uds1O5sfiHiwIbouE

#5 Desafio 2019 – Resistência ao Impulso

Resistência ao Impulso

Chegamos a Maio, altura de lançarmos o nosso quinto desafio do ano para desenvolveres a tua Inteligência Emocional!

Nos últimos quatro meses, lançamos os seguintes desafios:

Este mês vamos treinar uma competência muito importante para a nossa regulação emocional, que é a Resistência ao Impulso. A resistência ao impulso é capacidade de um indivíduo resistir ao desejo da gratificação imediata, de forma a obter uma maior recompensa a longo prazo. Esta competência está intrinsecamente ligada ao autocontrolo.

Um dos estudos mais fascinantes e conhecidos sobre a resistência ao impulso, foi elaborado por Walter Mischel, psicólogo da Universidade de Stanford, na década de 60. Walter Mischel, apresentou um marshmallow a crianças em idade pré-escolar, indicando que poderiam comer o marshmallow imediatamente, mas apenas comiam esse, ou poderiam aguardar (cerca de 10 minutos) e receberiam outro marshmallow. O objetivo seria analisar se as crianças que conseguiam aguardar pelo segundo marshmallow, ou seja, que tinham uma capacidade de resistir ao impulso inicial, à gratificação instantânea, de forma a aguardar por uma recompensa a longo prazo maior, tinham no futuro competências sociais e emocionais mais desenvolvidas. Estas crianças foram acompanhadas ao longo dos anos e Mischel verificou que estas crianças que resistiam ao impulso inicial, tinham um perfil psicológico mais positivo, faltando menos às aulas, relacionando-se melhor e tendo melhores resultados escolares.

No seu livro “The Marshmallow Test”, Walter Mischel fala de dois sistemas que têm um impacto direto na nossa capacidade de resistência ao impulso: o sistema emocional quente e o sistema cognitivo frio.

Sistema emocional quente

O sistema límbico consiste em estruturas primitivas do cérebro localizadas por baixo do córtex e em cima do tronco cerebral, que foi desenvolvido cedo na evolução. Estas estruturas regulam desejos básicos e emoções essenciais para a sobrevivência, desde medo a raiva, até a fome e sexo.

Este é um sistema reflexivo, simples, emocional, automático e rapidamente dispara o comportamento consumista, impulsivo. Um foco quente na tentação, rapidamente dispara esta resposta. O stress elevado ativa este sistema quente.

Sistema cognitivo frio

Ligado ao sistema quente do cérebro, está o sistema frio, que é cognitivo, complexo, reflexivo e mais lento a ativar. Está centrado principalmente no córtex pré-frontal. Este sistema é crucial para decisões futuras e esforços de autocontrolo. O sistema frio e quente interagem continuamente e quando um fica mais ativo, o outro torna-se menos ativo.

O Córtex Pré-Frontal (CPF) é a região mais evoluída do cérebro, que é responsável por regular os nossos pensamentos, ações e emoções. Permite-nos redirecionar a nossa atenção e mudar estratégias de forma flexível. O autocontrolo está enraizado no CPF.

Distância psicológica

Existe um conceito que nos pode ajudar a utilizar estes dois tipos de sistemas para treinarmos a resistência ao impulso e aumentarmos a nossa Inteligência Emocional?

Os psicólogos Yaacov Trope e Nira Liberman, propuseram que quando imaginamos o futuro ou pensamos sobre o passado, estamos a ativar a distância psicológica.

A distância pode ser em tempo (agora vs futuro), espaço (perto vs longe), social (nós vs estranhos) e certeza (definitivo vs hipotético). Quanto maior a distância psicológica, mais abstrata a informação torna-se, ativando o sistema cognitivo frio.

Então, na prática, como utilizar esta distância psicológica, de forma a ativar o sistema cognitivo frio ou o sistema emocional quente?

Sistema cognitivo frio

  • Kevin Ochsner e Hedy Kober, da Universidade da Columbia, mostraram fotografias de cigarros para induzir desejo em fumadores, enquanto os seus cérebros estavam a ser examinados numa máquina de ressonância magnética funcional. Durante o estudo, os participantes foram instruídos a pensar nos efeitos a curto prazo (Vai saber bem) ou nas consequências a longo prazo (Posso apanhar cancro nos pulmões). Quando os fumadores focaram-se nas consequências a longo prazo, ativando o sistema cognitivo frio, o seu desejo de fumar reduziu significativamente.

Sistema emocional quente

  • Por exemplo, se tivermos duas propostas de emprego e se estivermos com dúvidas, podemos imaginar com detalhe, como seria passar um dia inteiro hoje a trabalhar lá. Dessa forma, ativamos o sistema mais quente.

Desafio mensal de Resistência ao Impulso

Para o desafio deste mês, segue os seguintes passos para ativares o sistema cognitivo frio ou o sistema emocional quente:

  1. Pensa em situações que queiras deixar de fazer (fumar, comer doces, procrastinar) e em situações que queiras começar a fazer ou aquilo que queres atingir (ser saudável, trabalhar num novo sítio, ter poupanças)
  2. Nas situações que queres deixar, ativa a distância psicológica para o “futuro” e pensa em todas as consequências que vais obter, se continuares a fazer o que estás a fazer. Nas situações que queres começar, ativa a distância psicológica para o “agora” e imagina com detalhe como te irás sentir, se já as tivesse atingido.

 

resistência ao impulso - inteligência emocional

 

Subscreva a newsletter

Para receber todas as novidades em primeira mão…