Mês: Junho 2021

Como é que Algumas Pessoas são Resilientes?

Porque é que algumas pessoas são resilientes e outras não?

Quais os fatores que estão por trás da resiliência?

A Resiliência

A resiliência é um termo que é mais frequentemente definido como a “adaptação positiva apesar da adversidade” (Luthar, 2006). Nesta visão, a resiliência requer a presença de risco ou adversidade. 

Hunth (1999) conceptualiza a resiliência num continuum com dois polos: resiliência menos ótima até à resiliência ótima. A resiliência menos ótima inclui a utilização de violência, comportamentos de risco elevado e afastamento social e emocional.

Quando as pessoas são confrontadas com desafios, podem sucumbir ou podem responder de uma de três formas: sobreviver, recuperar ou prosperar (O’Leary, 1998).

Sobreviver (linha A): implica que uma pessoa continua a funcionar de forma deficitária. Por exemplo, uma vítima de um crime violento em que o trauma do evento causou tanto medo de que a pessoa tem medo de sair de casa e por isso é incapaz de voltar ao trabalho e continuar a sua vida.

Recuperar (linha B): indica o retorno à sua linha de base. Depois do decréscimo no nível de funcionamento associado a um desafio inicial, a pessoa é capaz de voltar aos seus níveis prévios de funcionamento social e psicológico. Por exemplo, alguém que tem um caso de cancro na mama e que após o tratamento, os seus níveis de energia voltam ao normal e é capaz de voltar à sua vida de forma idêntica a como fazia antes do evento.

Prosperar (Linha C): representa a capacidade de ir além do nível original do funcionamento psicossocial, de crescer de forma vigorosa, de florescer. Prosperar manifesta-se em três domínios: comportamentalmente, cognitivamente e emocionalmente. Por exemplo, alguém que sofre uma doença debilitadora e inspira-se na sua doença para ajudar outras pessoas na mesma situação e transforma a sua vida e de outros.

Modelos de Resiliência

A investigação sobre a resiliência levou ao desenvolvimento de três modelos principais: o modelo compensatório, o modelo de desafio e o modelo de fatores protetores (O’Leary, 1998).

O Modelo Compensatório

O modelo compensatório olha para a resiliência como um fator que neutraliza a exposição ao risco. Os fatores de risco e fatores compensatórios contribuem de forma independente para a previsão do resultado.

Alguns autores defendem quatro características centrais de jovens adultos considerados resilientes (Werner & Smith, 2001):

  1. Abordagem ativa em relação à resolução de problemas
  2. Uma tendência para percecionar experiências de forma positiva, mesmo em sofrimento
  3. A capacidade de obter a atenção positiva das outras pessoas
  4. Uma forte confiança na fé em manter uma visão positiva da vida

O Modelo de Desafio

O modelo de desafio sugere que se um fator de risco não for muito grande, pode realmente aumentar a adaptação de uma pessoa. Ou seja, serve como preparação, como inoculação ao próximo desafio (O’Leary, 1998). 

Então, pouco stress é não é desafiante o suficiente e elevados níveis de stress resultam em disfunção.

O Modelo de Fatores Protetores

O modelo de fatores protetores defende que existe uma interação entre fatores de risco e protetores, que reduzem a probabilidade de um resultado negativo e modera o efeito da exposição ao risco.

Neste modelo, é indicado que estes fatores protetores potenciam resultados positivos, apesar das circunstâncias aversivas da vida. Estes fatores incluem (Ungar, 2004):

  1. Competências de gestão emocional
  2. Competências interpessoais
  3. Competências académicas e profissionais
  4. Capacidade para restaurar a autoestima
  5. Competências de planeamento
  6. Habilidades de resolução de problemas

Concluímos que os vários modelos estudados sobre a resiliência mostram um padrão: a resiliência pode ser treinada.

Embora certas competências podem ser mais inatas para alguns do que para outros, são competências que podemos desenvolver para nos tornarmos mais resilientes.

#6 Desafio Mensal 2021 – Reduzir a Procrastinação

A definição de dicionário do verbo “procrastinar” é “adiar, diferir, prolongar, postergar”. A palavra vem da conjugação de duas palavras em Latim.

Pro (para a frente) + Crastinus (pertencente a amanhã).

Então, procrastinar é quando empurramos uma tarefa para a frente, para amanhã. Ou seja, é comummente verbalizado como “faço isto depois.”

Segundo uma meta análise de Piers Steel da University of Calgary, um dos motivos de procrastinarmos vem das características da tarefa (Steel, 2007). Esta análise verificou que procrastinamos mais quando as tarefas:

  • São desagradáveis
  • São aborrecidas
  • São difíceis
  • Têm baixa autonomia
  • Não têm significado pessoal
  • Não recebem feedback
  • São menos recompensadoras no momento imediato

Estas características servem de gatilho para termos mais tendência de procrastinar. 

Então, uma das estratégias para diminuirmos a nossa procrastinação é reverter esses gatilhos.

Ou seja, se uma tarefa for desagradável, devemos tentar torná-la mais agradável. Se for aborrecida, devemos tentar torná-la mais divertida. E por aí adiante.

Por exemplo, se estamos a procrastinar escrever um relatório porque consideramos que é aborrecido, podemos pensar num jogo para ver quantas palavras escrevemos em 30 minutos. E tentamos bater esse tempo da próxima vez.

Para o desafio deste mês, faz o seguinte:

  1. Identifica várias tarefas que andes a procrastinar
  2. Identifica as características da tarefa que levam a essa procrastinação
  3. Escreve as estratégias possíveis para reverter o gatilho (devem ser específicas)
  4. Identifica o passo que irás dar imediatamente para implementar essas estratégias

Bom desafio!

Clica aqui para fazer download do desafio deste mês.

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